sábado, 16 de agosto de 2008

Titre de séjour: cada caso é um caso II

Caro Diego,

Enfim, comento sobre o que acontece quando você já está na França. Desculpe, Diego, mas o processo que você descreveu foi muito certinho. Um mês?! Poxa...

...

Vamos lá:

1) Quando eu cheguei na empresa na França, seguindo a orientação burocrática, a empresa imprimiu uma cópia do meu visto com a estampa de entrada e enviou para a ANAEM. Não foi para qualquer ANAEM: foi para a ANAEM do departamento 92, onde a empresa está localizada. A resposta: "aguarde que a ANAEM vai te retornar uma convocação para visita médica";

2) Duas, três, quatro semanas e nada de resposta. Eu tento abrir conta em banco. O gerente pergunta: "Você tem o récépissé do seu seu processo?". Não. Eu tento alugar um apartamento. Mais uma vez me perguntam: "cadê o récépissé?". "Pergunta pra sua mãe", era o que dava vontade de falar. Resolvi pressionar a empresa: "Cadê o récépissé? Quando é que vou ter o titre de séjour?". A moça resolveu ligar na ANAEM e olha só, que coincidência: no dia seguinte, recebi a convocação para o exame médico. Mas só pra depois de 3 semanas. E nada de récépissé;

3) Mais três semanas se passaram, eu já arranjei um jeitinho pra abrir conta em banco e alugar apartamento sem récépissé ou coisa alguma. A ineficiência do setor público francês te lança na ilegalidade.

4) E lá vou eu para a ANAEM para a "Visita Médica". Em uma sala estou eu, um rapaz das ilhas Fiji, africanos, árabes, poloneses, romenos. Antes da visita médica, uma francesa tchutchuca e sorridente, apresenta um vídeo sobre os valores da República Francesa: "Liberdade, igualdade e fraternidade". O vídeo insiste em repetir "Na França, a mulher tem direitos iguais aos do homem", "A mulher pode escolher o seu trabalho sem pedir permissão ao marido", "o Estado é laico e o uso de qualquer adereço religioso é proibido em repartições públicas, inclusive o véu". Impagável o sorriso irônico de alguns da sala;

5) Um funcionário, notoriamente estrangeiro, adentra o recinto e explica em uma língua que lembrava francês que o domínio da língua francesa é obrigatório para a manutenção do visto. Talvez fosse para motivar a turma: se até ele, com esse sotaque, foi aprovado, não deve ser tão difícil assim...

6) Após alguns exames, a assistente social me dá meu "contrato de integração", uma convocação para a "formação cívica" para o dia 7 de setembro (um mês e meio depois), e um certificado de visita médica. "Apresente isso para a préfecture".

E aí começa a complicação. Mas antes de mais nada, deixa eu lembrar que aqui prefeitura é mairie e que préfecture é algo como um governo estadual.

O problema é que:

- o processo foi iniciado no Departamento 92;
- eu moro em Paris (Departamento 75);

Em qual Préfecture devo ir? Segundo a assistente social, após dois longos telefonemas, "na Préfecture de Boulogne (92), pois é lá que está seu dossier". E nada de récépissé.

7) E lá fui eu, todo inocente, bobinho, às 9h da manhã, horário de abertura, na Sous-Préfecture de Boulogne. Visão do inferno: gente para todo o lado. Gente de pé. Gente sentada. Pego a senha: 116 pessoas na minha frente. Dois caixas atendendo. Atendimento de 10 minutos em média por cabeça. Faço as contas: não serei atendido antes das 16h, quando fecha. Desisto e vou para o trabalho;

8) Chego no trabalho e comento meu caso, indignado, com um tunisiano. Ele me recomenda: "vá diretamente à Préfecture de Nanterre. Eles têm mais atendentes, são mais organizados. Lá é tudo rápido". Saio na hora do almoço e vou pra lá. Visão do inferno: um prédio gigante, com uma fila igualmente gigante, que sai pra fora do prédio. Vou até o início da fila: a fila de informações tem aproximadamente 60 pessoas e uma mulher estressada atendendo. A fila normal contém 1 atendente, e dois caixas fechados para almoço. Havia no total, mais de 500 pessoas no recinto. Voltei para o trabalho sem o tal récépissé e sem esperanças;

9) Sou brasileiro e não desisto nunca. Acordei cedo no dia seguinte, 6:30h. Às 7h, entrei no metro e 7:45h estava na porta da Sous-Préfecture de Boulogne. Quando peguei a senha às 9h da manhã, horário de abertura, eu era o sexagésimo. Resolvi dar uma volta pelo bairro e voltei só pelas 11h. Fui atendido às 12:15h. Se é que dá pra chamar isso de atendimento:

- Pois não?
- É para o pedido do meu primeiro título de séjour...
- Dá-me seu récépissé...
- Eu não tenho récépissé.
- COMO NÃO?!? Conte-me sua história.
- Sou ex-sheik. Eu morava em meu Emirado, com meus camelos, limpava o ânus com areia e bla, bla, bla...
- Ok. Deixa eu olhar o sistema... - clec, clec, clec, barulhinho de teclado - mas eu não encontro o seu dossier. Você tem uma justificativa de domicílio?
- Sim, o meu contrato de aluguel. - entrego, orgulhoso, o meu contrato de aluguel, que consegui fechar sem porra nenhuma de récépissé.
- AAAAAAAAAAAH! MAS VOCÊ MORA EM PARIS ?!?!
- VOCÊ TEM QUE ENTRAR COM O PEDIDO NA PRÉFECTURE DE PARIS. PRÓXIMO!
- Mas, senhora, a Assistente Social da ANAEM ...
- VOCÊ TEM QUE ENTRAR COM O PEDIDO NA PRÉFECTURE DE PARIS. PRÓXIMO!
- ... me falou que eu tinha que vir aqui, porque aqui está meu dossier.
- VOCÊ TEM QUE SOLICITAR A TRANSFERÊNCIA DE SEU DOSSIER PARA PARIS. PRÓXIMO!
- E como eu faço isso?
- VÁ ATÉ A PRÉFECTURE DE PARIS. PRÓXIMO!!!!

Informações Praticas: culpa do AZERTY

Tudo bem Diego,

Vejo que você não acentuou corretamente algumas maiúsculas e o "a" de "Práticas". Mas está perdoado. "Diga-me como escreves, e te direi que teclado usas". Maldito seja o teclado AZERTY!

O teclado AZERTY é o teclado oficial francês, e difere substancialmente do teclado internacional QWERTY:

- o AZERTY não acentua maiúsculas;
- o AZERTY não tem acento agudo no "a";
- o AZERTY tem letras como "é" e "è";
- o AZERTY tem um monte de caracteres que só aparecem ao se pressionar o ALT da direita junto com a tecla;
- no AZERTY, o CAPS LOCK mostra não apenas caracteres maiúsculos, mas também os caracteres que estão sobre os números, como se o SHIFT estivesse apertado;

Na primeira semana aqui, blasfemei: "Qi, aue merda de teclqdo". Mas agora já acostumei. Mas em casa, continuo com o meu querido QWERTY internacional.

Titre de séjour: cada caso é um caso

Pois é Diego,

Você bem disse: após a obtenção a entrada na França com um visto temporário de trabalho, a peregrinação pelo visto apenas começa.

Não que o processo que culmina para a obtenção do visto temporário seja fácil. Longe disso, é uma gincaninha burocrática que passa pelas seguintes etapas:

1. encontrar um empregador que realmente goste de você e que se responsabilize por lhe solicitar um pedido de visto enquanto você ainda está no exterior;

2. para justificar o pedido de visto, a empresa provar que você possui uma qualificação que não é encontrada na França. Para tal, a empresa publica um anúncio para a sua vaga no site da Agência Nacional para o Emprego, ANPE;

3. se em um mês não houver uma pessoa qualificada francesa que se candidate a esta vaga, ótimo: a empresa já pode entrar com um pedido de introdução de um salariado estrangeiro na "Direction Départamentale du Travail, de l’Emploi et de la Formation Professionnelle"(DDTEFP) do departamento francês onde se encontra. E aí, prepare-se para fornecer a sua empresa alguns documentos, como:

- cópia do passaporte
- fotos 3,5 x 4,5
- certidão de nascimento (obviamente traduzida para o francês em tradutor juramentado)
- cópia do diploma universitário e demais certificados que comprovem a sua especialização (obviamente devidamente traduzidos para o francês em tradutor juramentado)

É salutar negociar que sua empresa pague a taxa para obtenção do visto de trabalho (não tenho os valores atualizados, mas é mais que 1000 euros).

A partir daí, conte algo entre 2 ou 3 meses para que seu processo seja aceito ou simplesmente negado. Se a empresa fez a lição-de-casa direitinho, publicou a vaga e esperou um mês sem encontrar um francês para a vaga, é bem provável que seu dossier seja aceito e o seu contrato seja aprovado pela DDTEFP.

4. Dossier aceito, agora a batata quente está no colo da Agência Nacional de Acolhida a Estrangeiros e de Imigração, ANAEM, do departamento francês onde sua empresa está localizada, que seguirá com os demais procedimentos burocráticos que culminarão com a aparição mágica de um visto para você na embaixada ou consulado francês mais próximo do seu endereço de origem. Conte aí ao menos uns 40 dias de silêncio absoluto dos órgãos públicos franceses. Não adianta ligar: ninguém sabe, ninguém viu seu dossier;

5. Como um passe de mágica, um belo dia você tem uma idéia de ligar no consulado francês mais perto do domicílio de origem informado no seu dossier e descobre que lá está uma autorização para um visto temporário de trabalho;

6. Você se dirige ao consulado, e após descobrir que sim, é possível colocar 100 pessoas em fila em pé por 4h em um cubículo 4m x 4m sem ar-condicionado, você descobre que faltou um documento que te permita retirar o visto. Volte pra casa chorando, obtenha os documentos pedidos e volte no dia seguinte;

7. Parabéns! Sua persistência e capacidade de manter a sua polidez e fluência em francês em um ambiente hostil valeu-lhe o carisma do pessoal do consulado, que agora lhe oferece um copo de água e uma cadeira na área reservada aos funcionários enquanto eles procuram o seu dossier, que se perdeu embaixo de uma montanha de papel. 1h depois, eles encontraram o papel e você já está apto a fornecer suas impressões digitais. O que? Você não trouxe os 60 € da taxa X que todo mundo sabe que existe menos você? Tá bom, eles quebram o galho pra você e permitem que você saia correndo pelas ruas do entorno encontrar um caixa automático;

8. Agora sim! Você já tem um visto "France (+1 Transit Schengen)" colado no seu passaporte, com uma observação "Salarié ANAEM - Carte de séjour à solliciter dans les deux mois suivant l'arrivée".

Simples, né? Mas esse post não era para falar sobre o que vem antes, e sim, sobre o que vem depois, onde realmente começa a burocracia. Mas esse post ficou grande, vamos para o próximo.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Le Tour


Rogério disse...

Grande Luisão,
Fiquei sabendo esta semana que esta em terras de Eiffel.
Só lembrando que daqui duas semanas (05/07) começa o Le Tour que termina em Paris. Tenho certeza será grande fonte de inspiração...
Abraços
Rogério





"Da' pra desbloquear a estrada, por favor?"


O Tour de France começou neste fim de semana, ou simplesmente Le Tour, como dizem por aqui.

(Isso me faz lembrar o famoso episodio dos Simpsons no Brasil, em que Homer pede castanhas do Brasil, e os sequestradores respondem que "aqui chamamos simplesmente de castanha".)

Não muito famosa no Brasil, é a prova mais importante do calendario do ciclismo no mundo. Ela existe ha' mais de 100 anos e foi interrompida apenas durante as duas guerras mundiais no século XX.

O prêmio aumenta quase todo ano, e o carater sobre-humano da prova é o que a torna tão interessante. Pedalar 3000km, incluindo grandes cadeias montanhosas, não é tarefa pra qualquer um.

E nos ultimos anos, não tem sido tarefa pra quase ninguém, quer dizer, ninguém sem uma ajudinha quimica. Todo ano sobram acusações e escândalos de dopagem, que rebaixariam Maradona a um simples amador.

Toda a polêmica é parte integrante do Tour, tanto quanto as performances e os resultados. Porque afinal, como dizem os nada hipocritas grolandeses: "O que queremos é dizer que ganhamos a Volta da França porque nos dopamos."


Informações práticas para um imigrante legal: titre de séjour

Você conseguiu seu visto francês para viver e/ou trabalhar legalmente na França. Otimo, mas a burocracia apenas começou. O visto serve apenas para a entrada no pais e dura três meses; e uma vez de chegada na terra do queijo e do vinho, é preciso se registrar nos dois meses que se seguem (uma justificativa da passagem deve ser apresentada).

Alguém pode pensar: "brasileiro não precisa de visto pra entrar na Europa, então não tem problema: eu entro na Europa legalmente e me apresento por là para tirar a papelada." Falso, o visto não serve so' para entrar no pais, mas também para pedir a papelada. E' preciso que o consulado francês do pais onde você reside atualmente (e legalmente) emita este visto.

Depois é preciso contactar a commune ou a préfécture de police de onde você mora. Os links postados aqui são para a cidade de Paris. Normalmente o procedimento é:

1: Uma apresentação preliminar (dentro do prazo de dois meses) para indicar a chegada e marcar um rendez-vous para entrega de todos os documentos. Estes variam de acordo com o caso (estudante, origem da pessoa, etc). Um recibo é fornecido comprovando o registro.

2: Neste rendez-vous, normalmente um mês depois, além de levar as fotos e todos os documentos requisitados, é preciso estar atento a exigências particulares. Se, por exemplo, o imigrante for casado com um cidadão(ã) francês(esa), a presença deste(a) é obrigatoria. Ao fim desta reunião, um novo recibo é fornecido, além de uma data para o "dia de integração". Esta é a novidade desde o inicio do governo Sarkozy, em 2007.

3: O dia da integração se passa um pouco mais de um mês depois dessa reunião. Ah, antes é preciso ir a uma secretaria dos impostos e recolher uma taxa. Até pouco tempo era de €275. O recibo são selos oficiais que devem ser entregues quando do recebimento do documento. No dia, é preciso ir à ANAEM e assistir a uma apresentação dos valores da republica francesa. E' apenas uma introdução, ja' que a formação completa sera' feita no dia civico.

No mesmo local são efetuados os exames medicos obrigatorios e uma entrevista individual. Na entrevista ha' um exame bem simples de francês, e com um conhecimento basico o imigrante sai com o diploma na hora. Senão, não tem problema, um curso de 200h é oferecido gratuitamente e pode ser reservado na hora com o interlocutor.

Outras questões praticas sobre o dia-a-dia na França são abordadas: seguro-saude, emprego, matriculas em escolas, etc. Caso deseje, o imigrante pode participar de uma formação sobre estes assuntos, a ser agendada. Caso demonstre um conhecimento sobre o assunto, é possivel de pedir uma dispensa e, assim como para o idioma, um diploma é emitido na hora.

Existe ainda um terceiro certificado, este sem possibilidade de dispensa, o chamado dia civico. O agendamento é feito na hora e a formação dura um dia todo. A boa noticia é que ele é oferecido também aos sabados. Depois falarei mais sobre esse dia aqui no blog, mas adianto que embora pareça mais uma obrigação burocratica, é de fato um evento muito interessante.

Por fim, é preciso assinar o contrato de integração, com o qual o imigrante se compromete a obter os três diplomas acima citados e respeitar os valores da republica.

Os três diplomas e o contrato serão exigidos um ano mais tarde, para a renovação do titre de séjour.

(Este post é dedicado ao ex-Sheik, que esta' passando por esta via crucis!)

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Unicamp, a veadagem e os defensores da normalidade

Lá se vão mais de dez anos da primeira aula na Unicamp. Ainda me lembro da primeira aula de cálculo: um rapaz lá no fundo levanta a mão e o professor interrompe a aula pra perguntar o que ele queria.

- Professor, posso ir no banheiro? - para o desespero do professor.

Veio o segundo semestre, e as temíveis aulas de "Álgebra Linear", com o Ali. Ah, o Ali... o Ali era gay. Gay não. Sem estrangeirismos: o Ali era veado. VE - A - DO. Era não, ainda deve ser: gozava de uma união estável com seu companheiro já há alguns anos. Ali era exigente. A gente sofreu, falo por mim: fiquei para exame. Mas a gente aprendeu muito com o Ali: no dia em que saiu as notas da última prova, ainda lembro de um de nós, depois de pegar sua nota e ver que passou, falar com a maior sinceridade:

- Oh, professor, assim, ... , na boa, ... pra mim, veado não é homem!

Ali, um provador de teoremas por excelência, respondeu com a maior naturalidade:

- Por definição, veado é um homem que gosta de homem. Portanto, sou homem.

Nos semestres que se seguiram, Ali continuou professor e veado e continuou dando aulas das matérias básicas - cálculo II, cálculo III - e suas turmas seguiram sendo disputadas, porque ele é bom professor.

O que? Você se ofendeu com este termo chulo: "veado". Vai querer me processar? Ah, essas milícias puritanas do politicamente correto. Não precisamos chegar a esse nível: eu aqui ponho meus óculos, um avental branco de especialista e assim, substituo tudo pelo termo técnico-científico que define os padrões de conduta sexual humanos: "os homossexuais, os heterossexuais, bissexuais, os panssexuais, os metrossexuais, ... zzz..."

A partir de um blog em que sou assíduo leitor vejo que um ciclista foi espancado pela Polícia em São Paulo por pedalar semi-nu em protesto por mais prioridade aos não motorizados. Protesto, aliás, que foi ridicularizado pela mídia guardiã da "normalidade".

Ah, a normalidade... através de um jornal brasileiro na internet, mais uma notícia: "Evangélicos invadem Congresso contra projeto que criminaliza homofobia". Isso me lembra a onda de cartas de protesto enviadas aos jornais de Dubai que culminaram com a censura ao site do Orkut, site de relacionamentos do Google. Ah, as pessoas protestavam porque descobriram à altura que lá existia uma comunidade chamada "Dubai Sex"...

Os argumentos dos pastores são dignos de nota. Algo me diz que essa gente ia adorar morar em Dubai:

"Sabemos que há uma maquinação para que esse país seja transformado numa Sodoma e Gomorra [cidades bíblicas que teriam sido destruídas pelos excessos cometidos por seus moradores]. Um projeto desses vai abrir as portas do inferno"


(contra todo idealista, sempre uma conspiração mundial de prontidão)


"Esse projeto de livre expressão sexual abre as portas para a pedofilia. É uma afronta à Constituição e à família"


(quantas portas, minha gente!)

Paris, sexta passada: na volta pra casa, atravesso o Marais de bicicleta: em uma esquina, uma fila de homens de todas as silhuetas fazem fila na entrada de uma boate. Na outra, um casal feminino se beija na rua, em plena luz do dia. E nem por isso a mulher que vinha do supermercado com suas crianças mudou de calçada.

Isso não quer dizer que eu concorde com a lei: é triste ver que o Brasil ainda perca tempo (e recursos, salários de deputados, etc) discutindo leis para redefender o que já foi conquistado e deveria ser óbvio. Mas o que preocupa que isso é ver setores messiânicos da sociedade ganhando mais e mais espaço, controlando rádio e TV.

Viva as liberdades individuais!
Viva o Estado laico de direito!

Obs.: sim, mudei os nomes...

sábado, 21 de junho de 2008

Há controvérsias

Anônimo disse...

Hitler gostava tanto de Paris que mandou seus generais incendiarem a cidade...
Belo spin-off, Luisão!


Comentário enviado em 20 de Junho de 2008 07:06

Spin-off?! Leitor que fala difícil...

.
.
.

Não!!!

Hitler fez isso? Não acredito!!!

Veja bem. Eu só falo o que vi, e o que lembro (sou ex-sheik, mas ainda tenho super-poderes).

Ecoa aqui pelas catacumbas de Paris que Hitler, sim, deu ordens para a "destruição total" da cidade. Mas foi uma ordem desesperada, de final de guerra, quando exército das forças aliadas (é notório como após a 2a Guerra convencionou-se a chamar de "Aliados" os vencedores e de "Eixo" o lado do "Mal". Um apelo claro ao sedimentado imaginário da 2a Grande Guerra. A única novidade neste ínterim é a palavra "terrorista") marchavam para tomar o controle da capital. Ordem que aparentemente foi ignorada por seus subalternos.

É fato que o líder alemão nunca escondeu sua admiração (e inveja?) pela cidade. Um interessante relato sobre a visita de Hitler à Paris está aqui ("Hitler Tours Paris, 1940," EyeWitness to History, www.eyewitnesstohistory.com (2008)).

É isso aí.

Razões para pedalar


Bicicletas de Paris: uma paixão em cada esquina.

Ou-là-là...
Oh-loh-loh...
hmmmm...

Coup de Foudre

- Mec, qu'est-ce que c'est Coup de Foudre?
- Booon..eeee... c'est quand tu tombes amoureux d'une nana à la prémière vue.

Mec - cara; o equivalente ao "pá" português
Nana - fille; garota, menina, mina
Coup de Foudre - amor à primeira vista

Nem no vôlei...


FIVB/Divulgação

Cansei desse negocio de discutir esporte com os franceses... Nem no vôlei a gente ganha mais!

Mas não importando o resultado, decidido no tie-break, o ambiente do jogo foi muito bom. O ginasio Bercy em Paris não estava exatamente cheio, mas contava com um bom numero de torcedores para um esporte quase desconhecido na França.

Os brasileiros também estavam em bom numero, e em algumas horas conseguiam fazer mais barulho do que os franceses. Enquanto os franceses gritavam "Allez, les bleus", os brasileiros respondiam carinhosamente com "Chupa!" a cada ponto perdido pelos nossos rivais...

Por falar em barulho, demorou dois sets para que as duas torcidas entrassem realmente no espirito da partida e participassem de cada ponto. Antes parecia haver uma especie de "respeito demais" no ar, que foi mudando a medida em que o jogo foi se aproximando do seu climax.

E no final a vitoria veio pra quem errou menos serviços, colocou mais bolas na quadra adversaria e, na minha opinião, demonstrou um pouco mais de vontade.

Pois é, paciência...

Agora so' falta o Massa ficar atras do Bourdais no GP da França de amanhã...

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Machin

- Bon.. eeee... et donc, tu mets une figure ici et parles du truc, machin, et voilà...
- D'accord... mais... qu'est-ce que c'est machin?
- Machin? C'est un BIDULE, un TRUC. Une CHOSE.

Machin - uma coisa, negócio, trolha. Também utilizado para pessoas, com o mesmo sentido em que se emprega a palavra coisa em português: "Aquele coisa passou aqui ontem."

Não confunda: moquette x quéquette


Nous vous rappelons que cet après-midi, le 3ème étage sera interdit à raison de substitution des moquettes.



Moquette - um tipo específico de carpete. No caso acima, aquelas placas acarpetadas de piso-falso muito comum em edifícios empresariais com menos de 10 anos (que em Dubai começava a descolar, envergar e ninguém trocava, até alguém tropeçar e derrubar o café no chão).
++++++++++++++++++
- Xavier, qu'est-ce que c'est une quéquette?
- Quéquette?!... une BITE!


Quéquette - termo vulgar e corriqueiro para referenciar o pênis; maneira como jovens do sexo masculino referenciam a própria genitália em "conversas d'homem"; pila, pinto, jeba, piroca, meninão.

Para saber mais:

- Para comprar moquettes em Paris: La Moquetterie
- Música no YouTube: J'ai la quéquette que colle

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Vôlei sim, mas não vá esquecer que...

... sábado tem Fête de la Musique, quando todo francês monta um grupo musical e sai às ruas para celebrar o início do Verão. O bom de chegar na França no verão é isso: a França no seu melhor...

Bola na rede é ponto! Ou gol?


E a minha primeira contribuiçao para o Paris F.C. é um post sobre... o volei, é claro!

Porque pra falar de futebol aqui é um problema. E vamos para a minha regressao...

O legal da Europa é que em periodo de Copa do Mundo (ou Eurocopa) a discussao de futebol de seleçoes é acalorada como as discussoes de clubes no Brasil. Embora tenha perdido o imenso interesse que tinha quando criança (chegava a ficar triste quando o Corinthians perdia, meio deprimido até...), futebol ou outros esportes sempre sao bons assuntos para quebrar o gelo ou para matar o tempo.

Pelos paises serem mais proximos e ser mais misturado que no Brasil, sempre tem um italiano, ingles (ou brasileiro) pra contrapor as opinioes.

Eu lembro da Copa de 2002, quando o Brasil (meio que roubado) ganhou da Belgica nas oitavas de final. O Casseta & Planeta saiu às ruas para perguntar se os brasileiros conheciam algum belga pra tirar sarro da derrota. Como ninguem conhecia, apresentavam um canario belga, ou uma couve de Bruxelas!!

O fato é que desse lado do oceano bem ou mal voce acaba conhecendo um de cada pais, mais ou menos como no Brasil tem torcedor de todo time (embora eu nunca tenha visto um torcedor da Portuguesa !)

E ai eu chego no motivo do porque aqui na França é mais complicado falar de futebol. Enquanto que em todo o mundo todos conhecem a seleçao brasileira de futebol e a admiram, mesmo em ma fase, como o atual quarto lugar nas eliminatorias, aqui eles consideram a seleçao francesa a pior de todas, mas quando tem jogo contra o Brasil, eles tem a certeza da vitoria !

Basta olhar o retrospecto... Das ultimas seis copas, o Brasil ganhou duas (nada mal), e foi eliminado uma vez pela Argentina, em 90, e TRES vezes pela França... Nao é nada, nao é nada, mas... é por isso que o que importa é o volei !!!!!!!!!

E pela fase de grupos da Liga Mundial, que o Brasil venceu as ultimas cinco ediçoes, a seleçao do Bernardinho vem a Paris para fazer dois jogos neste fim de semana, sexta e sabado. Eu ja garanti meu ingresso para amanha!

Depois postarei fotos reais, nao fotos roubadas descaradamente da internet como a acima!