Missão 1: tirar um site antigo do ar
Primeira tentativa:
- "Benvindo ao serviço de atendimento ao cliente. Se você é cliente, tecle 1. Se você não é cliente, tecle 2."
Não sou mais cliente. Teclo 2.
- Boa noite, qual o serviço que você deseja assinar?
- Então, eu não sou assinante. Mas eu já fui. Mas eu não queria assinar. Eu gostaria de...
- Tú, tú, tú... (sim, desligou na cara).
Segunda tentativa:
- "Benvindo ao serviço de atendimento ao cliente. Se você é cliente, tecle 1. Se você não é cliente, tecle 2."
Não sou mais cliente. Mas teclo 1.
- (Música de saxofone, com voz de mulher sensual contando vantagens do serviço. Passam-se 5 minutos) - Boa noite, em que posso ajudar?
Dessa vez a moça foi mais simpática que o lixa do rapaz anterior. Ela realmente tentou me ajudar. E lá foi ela explicar para o suporte. Cinco minutos depois, ela retorna.
- Então... há quanto tempo você cancelou a sua assinatura?
- Olha... foi lá bem uns 5 anos pelo menos...
- Que estranho. Porque geralmente o site já é apagado automaticamente quando a conta é cancelada. Espera um pouco, vou checar mais uma coisinha. - ela volta depois de mais alguns minutos - então, ... olha só, não dá nem para o suporte apagar.
- Não?
- Não. Você devia ter apagado o site antes de cancelar.
- (risos).
- (ela riu também. Pintou um clima).
- Bom... deixa eu pensar... tive uma idéia: e se eu reassinar por um mês, apagar, e cancelar a assinatura?
- Então... não dá, porque não encontro nem o histórico do assinante. Se você quiser assinar, não vai conseguir reativar a conta anterior, pois o e-mail já está bloqueado...
- Putz... - risos - mas o site é horrível...
- É ... - (Gargalhadas sufocadas. Eu sabia que tinha pintado um clima) - o site vai continuar no ar...
- Bom... então tá.
- Mais uma coisa que eu possa ajudar? Quer dizer, nem ajudar eu ajudei, né? - garguengasgalhadas.
- É, mas valeu a intenção.
- A gente agredece a sua ligação.
- Eu também. Até mais.
- ?!
Missão 2: atualizar o cadastro de um site bancário
Recebo um e-mail informando: "atualize seu cadastro online. Caso contrário, bloquearemos seu acesso".
Entro no site. Preencho o cadastro. Ele é chato: quer RG, e não só. Quer saber a data de emissão. Onde está meu RG? Achei. Nossa, quanto tempo. Apaga isso, limpa aquilo, aperto "Enviar". Nada acontece. Aperto F5, a página é recarregada... e perco tudo o que escrevi.
Repito o processo acima por 3 vezes. Nada. Xingo. O tempo está passando. Ok, mudo de navegador. Repito mais uma vez o processo acima. Quando aperto o botão, agora aparece uma janelinha popup: "tem certeza que quer atualizar?" Sim! Agora aparece um outro formulário: "Digite sua assinatura eletrônica."
Ôxi... nem sabia que esse site tinha senha eletrônica?! Hmm... vamos lá, vamos tentar essa. Hmm... não. E essa outra... hmmm... não. Testei outra, e outra e mais outra, estressei: bombardeio de senhas seguidas de "Enter", e quando vejo, passou. Olha, que senha mesmo que eu digitei pra passar? Agora ele cai em outra página:
"Imprima o cadastro e envie junto com uma cópia simples de um comprovante de endereço".
Que ótimo! Moro no exterior. Ainda bem que o processo é online. E lá vou eu fazer peripécias de imprimir, assinar, escanear, ... ganhei uma dor-de-cabeça que não tinha. Lembrei até porque eu queria meses atrás comprar uma impressora multi-funcional. Pensando bem... não, mais um problema.
Missão 3: atualizar a senha do e-mail
O servidor de e-mail do trabalho foi migrado, e recebi uma mensagem: "seu login foi alterado e sua senha também".
Lá vou eu para o novo endereço. Digito meu login. Nada. Mudo meu login. Digito a senha. Nada. Tento todas as combinações que me vêm à cabeça. Nada...
... envio um e-mail ao suporte: "não consigo acessar meu e-mail". Minutos depois, tento mais uma combinação irreverente e... BINGO! Acertei! Viva! Viva! Tinha até um e-mail do meu chefe. Mas agora está tarde. Respondo amanhã.
Isso foi ontem. Hoje abri meu outro e-mail. Mensagem do suporte: "O seu caso foi tratado: esta é a sua nova senha provisória XXXX".
Vou ao e-mail da empresa, digito o usuário, e a senha, e meu mal presságio se confirma. Ao apertar o botãozinho, uma linda mensagem: "Sua senha expirou. Mude sua senha agora". E só. Nenhum botão. Nem nadica de nada. Nem nadinha escondidinho. Aperto F5, nada... tento outros 2 navegadores, sem sucesso... só me resta responder ao e-mail do suporte. Como eu mudo a senha? E o chefe está esperando minha resposta. Deve estar achando que eu me acho.
Três em um só dia. Se existe lado bom nisso é que andava sem inspiração e agora até escrevi uma estória. E lá vou eu dormir tarde. Será que haverá segunda-feira em que durmo antes das duas? Não sei (respondi só por responder. A superstição diz que não é bom terminar um texto com pergunta. Faz tão mal quanto manga com leite).
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terça-feira, 20 de janeiro de 2009
sábado, 6 de dezembro de 2008
Sapin de Nöel

Mon cher arbre,
Ne crée pas des illusions : il a toujours été comme ça, il toujours le sera. Lors du moment de la conception, dont ton grain a touché exprès la terre, tu es déjà venu au monde avec un but unique : naître pour mourir.
Mais ne déséspère pas maintenant, séparé de tes racines, lorsque tu attends devant la porte un acheteur. Un enfant viendra e dira au père : "on a besoin de lui!". Et ainsi, ton grand jour viendra: ornementé de brillantes et réfléchissantes boules de verre rouges, tu sera les centre des attentions dans un coin d'un salon. De moins jusqu'à la Nuit de Veille.
C'est ça, mon cher arbre. On dit ici que dans la vie on a besoin d'avoir un but clair, écrit sur les murs pour que durant les folies dispersantes de la vie quotidienne, nous ne l'oublions pas. Et ta vie a déjà un : donner de la joie aux gens que t'achète. Comme une laitue, qui est née pour être mangée. Et plus que ça : garantir le solde à qui te planta, à qui te coupa, à qui te transporta, à qui te vendit.
C'est ça: tu as déjà un but dans la vie. Il y a des gens qui passent tout leur vie en le cherchant et meurent sans le trouver. Mais ne crée pas des illusions : tu es né pour mourir. Quelques jours après le grand jour, alors fragile et deshydraté, tu laissera tomber par terre les premières feuilles sèches; tu sera lancé à la rue dans ta bière, à l'attente de la Proprété Urbane. Et encore une fois, tu aura de quoi à être fier : tu garantira la fonction de celui qui vont recueillir tes restes, ceux dont le but de leurs vies n'est que celui-là.
Pour le moment, respire à fond et souris aux possibles acheteurs. Ton grand jour viendra et passera. Inexorablement.
Pinheiro de Natal
Minha cara árvore,
Não crie ilusões: sempre foi assim, sempre será. Desde o momento da concepção, em que sua semente intencionalmente atingiu a terra, já veio ao mundo com um único objetivo: nascer para morrer.
Mas não se apavore agora, separada de suas raízes, enquanto aguarda enfileirada em frente à porta um comprador. Uma criança virá e dirá ao pai: "a gente precisa dela!". E assim, seu grande dia virá: enfeitada de reluzentes e espelhadas bolas de vidro vermelhas, será o centro das atenções em um canto de sala. Ao menos até a Noite de Véspera.
É isso, minha cara árvore. Dizem por aqui que a vida precisa ter um objetivo claro, escrito nas paredes para que nas loucuras dispersantes do quotidiano, não o esqueçamos. E a sua vida tem um: dar alegria às pessoas que a compram. Como um alface, que nasce para ser comido. E não só: garantir o sustento de quem a plantou, de quem a cortou, de quem a transportou, de quem a vendeu.
E isso: você já tem um objetivo na vida. Há pessoas passam a vida toda procurando um, e morrem sem saber. Mas não crie ilusões: você nasceu para morrer. Dias após o grande dia, quando frágil e desidratada, deixará tombar ao solo as primeiras folhas secas, será lançada à rua em seu ataúde, à espera da Limpeza Urbana. E ainda neste momento, terá de que se orgulhar: garantirá a função daqueles que recolhem seus restos, estes cujo objetivo de suas vidas é justamente este.
Por ora, respire fundo e sorria aos possíveis compradores. Seu grande dia virá e passará. Inexoravelmente.
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Alma-Marceau: a viagem de Maura
E a moça sorri do outro lado do vidro, estendendo duas folhas ao rapaz que as toma e segue para uma das cadeiras da sala.
- Por favor, senhor, preencha estes formulários e retorne sem pegar fila.
À espera, uma senhora ao lado corta a frente dos demais.
- Por favor, para renovar o passaporte o que é necessário? Eu tenho uma viagem marcada...
- Quando você viaja?
- Hoje. Eu estava no aeroporto e fui barrada. Meu passaporte está vencido.
- Mas olha, você precisa fazer um pedido de renovação. E isso leva alguns dias...
- Mesmo em caso de morte?
Morte. Palavra forte. Na sala todos que a ouviram pararam de conversar. Silêncio. A atendente pede licença ao rapaz que atendia - attendez un peu, s'il vous plaît - e dirige-se ao outro guichê, vazio, onde a senhora se senta.
- Neste caso, podemos emitir-lhe uma autorização, e a senhora viaja hoje mesmo, tá?
- Tá.
- Aguarde um pouquinho que já volto.
Ela vai até o armário e volta com dois formulários.
- Agora é só preencher, colar uma foto que você pode tirar naquela máquina ali e voltar aqui com uma cópia de documento seu, sem pegar fila.
O rapaz volta ao guichê e entrega os formulários preenchidos.
- Ótimo. Aguarde apenas que já te dou o seu recibo.
Recuando um pouco, apóia-se no balcão e relaxa o corpo, ao lado de uma senhora que segura duas folhas brancas.
- Moço... você pode me ajudar?
- Sim, claro.
- É para preencher os formulários.
- Sim, - diz ele examinando as duas folhas - mas não há muito o que fazer. São apenas informações pessoais... aqui é o nome, aqui a data de aniv...
A senhora se aproxima mais um pouco, voz baixa, face rubra:
- Eu não sei ler.
Ele entendeu agora o seu desconforto e sentiu vergonha também: tivera talvez as oportunidades que ela não teve; talvez uma destas questões de tempo e local de nascimento que não se escolhe. Mesmo assim, ela seguira seu caminho e estava ali, tal como ele.
- Faz tempo que a senhora está aqui?
- Muito tempo, muito tempo...
Folha branca sobre o balcão.
- Nome?
- Maura Célia de Jesus Bastos. Olha - na mão um registro de identidade - aqui estão minhas informações.
- Marcelo Bastos... esse é seu nome do seu pai, correto? Bom... é... por favor, minha senhora... não chore... - ele vai até seus pertences e volta com lencinhos de papel - para a senhora.
- Obrigado.
- Dulcinéia de Jesus Bastos. Sua mãe, né?
- Sim.
- Nome do marido?
- Ah, eu não sou casada.
- Profissão?
- Dona-de-casa.
Curioso: se ela não é casada, como pode ser dona-de-casa?
- Menagère, né?
- Isso. Dona-de-casa. Menagère...
- Está aqui. Agora só falta a senhora assinar.
Ela toma a caneta, acerta o óculos, papel sobre o balcão. Mão direita espalmada sobre a folha enquanto a esquerda esconde os traços azuis que agora aparecem do outro lado: "Maura Célia de Jesus Bastos".
- Bom, aqui está a outra cópia, é só assinar também. Boa viagem para a senhora, e... bom... não há muito o que dizer, mas... bom... mantenha a calma e faça boa viagem...
- Muito obrigado, muito obrigado! - abraço forte.
- Senhor, o seu comprovante - a moça sorridente no guichê.
- Muito obrigado.
Já na rua, notou que a camisa ficara marcada com um traço úmido, que alguns minutos depois, secou.
- Por favor, senhor, preencha estes formulários e retorne sem pegar fila.
À espera, uma senhora ao lado corta a frente dos demais.
- Por favor, para renovar o passaporte o que é necessário? Eu tenho uma viagem marcada...
- Quando você viaja?
- Hoje. Eu estava no aeroporto e fui barrada. Meu passaporte está vencido.
- Mas olha, você precisa fazer um pedido de renovação. E isso leva alguns dias...
- Mesmo em caso de morte?
Morte. Palavra forte. Na sala todos que a ouviram pararam de conversar. Silêncio. A atendente pede licença ao rapaz que atendia - attendez un peu, s'il vous plaît - e dirige-se ao outro guichê, vazio, onde a senhora se senta.
- Neste caso, podemos emitir-lhe uma autorização, e a senhora viaja hoje mesmo, tá?
- Tá.
- Aguarde um pouquinho que já volto.
Ela vai até o armário e volta com dois formulários.
- Agora é só preencher, colar uma foto que você pode tirar naquela máquina ali e voltar aqui com uma cópia de documento seu, sem pegar fila.
O rapaz volta ao guichê e entrega os formulários preenchidos.
- Ótimo. Aguarde apenas que já te dou o seu recibo.
Recuando um pouco, apóia-se no balcão e relaxa o corpo, ao lado de uma senhora que segura duas folhas brancas.
- Moço... você pode me ajudar?
- Sim, claro.
- É para preencher os formulários.
- Sim, - diz ele examinando as duas folhas - mas não há muito o que fazer. São apenas informações pessoais... aqui é o nome, aqui a data de aniv...
A senhora se aproxima mais um pouco, voz baixa, face rubra:
- Eu não sei ler.
Ele entendeu agora o seu desconforto e sentiu vergonha também: tivera talvez as oportunidades que ela não teve; talvez uma destas questões de tempo e local de nascimento que não se escolhe. Mesmo assim, ela seguira seu caminho e estava ali, tal como ele.
- Faz tempo que a senhora está aqui?
- Muito tempo, muito tempo...
Folha branca sobre o balcão.
- Nome?
- Maura Célia de Jesus Bastos. Olha - na mão um registro de identidade - aqui estão minhas informações.
- Marcelo Bastos... esse é seu nome do seu pai, correto? Bom... é... por favor, minha senhora... não chore... - ele vai até seus pertences e volta com lencinhos de papel - para a senhora.
- Obrigado.
- Dulcinéia de Jesus Bastos. Sua mãe, né?
- Sim.
- Nome do marido?
- Ah, eu não sou casada.
- Profissão?
- Dona-de-casa.
Curioso: se ela não é casada, como pode ser dona-de-casa?
- Menagère, né?
- Isso. Dona-de-casa. Menagère...
- Está aqui. Agora só falta a senhora assinar.
Ela toma a caneta, acerta o óculos, papel sobre o balcão. Mão direita espalmada sobre a folha enquanto a esquerda esconde os traços azuis que agora aparecem do outro lado: "Maura Célia de Jesus Bastos".
- Bom, aqui está a outra cópia, é só assinar também. Boa viagem para a senhora, e... bom... não há muito o que dizer, mas... bom... mantenha a calma e faça boa viagem...
- Muito obrigado, muito obrigado! - abraço forte.
- Senhor, o seu comprovante - a moça sorridente no guichê.
- Muito obrigado.
Já na rua, notou que a camisa ficara marcada com um traço úmido, que alguns minutos depois, secou.
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
La boîte à sourires / A caixa de sorrisos
10h07.->. Salut ! T'as retrouvé ton sourire ?
10h32.<-. Oui. J'en ai acheté une boîte à l'Auchan. ;-)
10h47.->. Pardon, tu parles de quoi? Cette boîte n'a rien avoir avec les derniers messages.
11h10.<-. Une boîte à sourires ! :-)
11h11.<-. Tu en veux 1 ? Il y a encore 11 à la boîte. Et de plus, celle n'est pas chère. Ça fait du bien.
11h12.->. Et t'as déjà utilisé 1 depuis Samedi ??
11h20.<-. Oui.
11h37.->. C'est intéressant mais cette franchise sonne un peu négative à ma maison. Je ne partage pas les choses.
12h50.<-. Franchise ? Partage ? ??? Alors, parlons en Anglais qu'on ne se comprend pas en Français.
16h40.->. We'll speak about that later.
17h00.<-. Ok.
20h17.->. My understand of our SMS conversation. I understood you spoke about condom box. So I asked you: have you used 1 of them since Saturday? You answered: yes. Meaning that you slept with another girl than me. so I said: we don't play the same game and I don't hold these rules.
20h35.<-. Une boîte à sourires ne contient que des sourires...
20h40.->. So I'm very stupid, without a sort of poetry mind, very "terre à terre". And now I'm embarassed. And you can laugh of me :-S.
-*-*-*-*-
10h07.->. Oi ! Você reencontrou seu sorriso?
10h32.<-. Sim. Comprei uma caixa deles no Auchan. ;-)
10h47.->. Perdão, você fala de que? Esta caixa não tem nada a ver com as últimas mensagens.
11h10.<-. Uma caixa de sorrisos! :-)
11h11.<-. Quer um? Ainda há 11 na caixa. E além disso, não é cara. E faz bem.
11h12.->. E voce ja a utilizou desde sabado??
11h20.<-. Sim.
11h37.->. Interessante mas esta franqueza soa negativa aqui em casa. Eu não divido as coisas.
12h50.<-. Franqueza ? Dividir ? ??? Então, falemos em inglês que em francês a gente não se entende.
16h40.->. Conversamos mais tarde.
17h00.<-. Ok.
20h17.->. Meu entendimento de nossa conversa SMS. Eu entendi que você falava de uma caixa de preservativos. Então perguntei: ja usou algum desde sabado? Voce respondeu: sim. Significando que você dormiu com outra além de mim. . Então eu disse: nos nao jogamos o mesmo jogo e eu não concordo com essas regras.
20h35.<-. Uma caixa de sorrisos contém apenas sorrisos...
20h40.->. Então eu sou muito estupida, sem um tipo de mente poética, muito "pé no chão". E agora estou constrangida. E você pode rir de mim :-S.
10h32.<-. Oui. J'en ai acheté une boîte à l'Auchan. ;-)
10h47.->. Pardon, tu parles de quoi? Cette boîte n'a rien avoir avec les derniers messages.
11h10.<-. Une boîte à sourires ! :-)
11h11.<-. Tu en veux 1 ? Il y a encore 11 à la boîte. Et de plus, celle n'est pas chère. Ça fait du bien.
11h12.->. Et t'as déjà utilisé 1 depuis Samedi ??
11h20.<-. Oui.
11h37.->. C'est intéressant mais cette franchise sonne un peu négative à ma maison. Je ne partage pas les choses.
12h50.<-. Franchise ? Partage ? ??? Alors, parlons en Anglais qu'on ne se comprend pas en Français.
16h40.->. We'll speak about that later.
17h00.<-. Ok.
20h17.->. My understand of our SMS conversation. I understood you spoke about condom box. So I asked you: have you used 1 of them since Saturday? You answered: yes. Meaning that you slept with another girl than me. so I said: we don't play the same game and I don't hold these rules.
20h35.<-. Une boîte à sourires ne contient que des sourires...
20h40.->. So I'm very stupid, without a sort of poetry mind, very "terre à terre". And now I'm embarassed. And you can laugh of me :-S.
-*-*-*-*-
10h07.->. Oi ! Você reencontrou seu sorriso?
10h32.<-. Sim. Comprei uma caixa deles no Auchan. ;-)
10h47.->. Perdão, você fala de que? Esta caixa não tem nada a ver com as últimas mensagens.
11h10.<-. Uma caixa de sorrisos! :-)
11h11.<-. Quer um? Ainda há 11 na caixa. E além disso, não é cara. E faz bem.
11h12.->. E voce ja a utilizou desde sabado??
11h20.<-. Sim.
11h37.->. Interessante mas esta franqueza soa negativa aqui em casa. Eu não divido as coisas.
12h50.<-. Franqueza ? Dividir ? ??? Então, falemos em inglês que em francês a gente não se entende.
16h40.->. Conversamos mais tarde.
17h00.<-. Ok.
20h17.->. Meu entendimento de nossa conversa SMS. Eu entendi que você falava de uma caixa de preservativos. Então perguntei: ja usou algum desde sabado? Voce respondeu: sim. Significando que você dormiu com outra além de mim. . Então eu disse: nos nao jogamos o mesmo jogo e eu não concordo com essas regras.
20h35.<-. Uma caixa de sorrisos contém apenas sorrisos...
20h40.->. Então eu sou muito estupida, sem um tipo de mente poética, muito "pé no chão". E agora estou constrangida. E você pode rir de mim :-S.
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Eles falam tchuquinôuders
A CHEGADA DE DEUTÉRIO
Eleutério recebe a visita de Deutério, que vem de férias de um país distante para um período de uma semana.
- Como foi de viagem?
- Foi ótimo, aproveitei minhas milhas e vim em classe executiva.
Após deixar as malas no apartamento, decidem sair para jantar. Deutério delicia-se com os pratos da culinária local e um momento de crise muito importante, filosofa sobre nobres frivolidades:
- Sabe, eu simplesmente não sei o que estou fazendo lá naquela merda de lugar. Aqui em Frutchinander é muito melhor. Você realmente está bem aqui.
- Sim.
- Se não fosse pelo dinheiro... ao menos meu trabalho paga meus prazeres. Como este, de estar aqui.
- Este é um motivo para um brinde!
E assim brindam sorvendo assim mais um copo de vichinitchers, a bebida local.
O BAR DA RUA OBROTCHUCAMP
Ao sair do restaurante, Eleutério tem uma idéia:
- Vou te levar para um bar legal. Fica na rua Obrotchucamp. A rua Obrotchucamp é muito legal. A rua Obrotchucamp tem os melhores bares da cidade. A rua Obrotchucamp há mulheres nuas correndo pela rua. A rua Obrotchucamp é o que há.
- Tudo bem, se você diz que é bom, eu acredito. Vamos a rua Obrotchucamp.
Tomaram o trem metropolitano e seguiram assim para a tão bem conceituada rua. Lá chegando, logo encontram um bar interessante, com várias pessoas à frente.
- Quanto é a entrada?
- É gratuita.
- Oooh...
O bar é o Tchugunaidernal. Chão de cimento, esculturas e pinturas na parede. Esculturas? Uma carcaça de automóvel pintada de cores reluzentes pindurada na parede. No piso inferior, a banda internacional do dia de rapazes de cabelo cor-de-fogo tocam instrumentos que chamam de "fôuqui". Rapazes estranhos, som interessante. Esse é o Tchugunaidernal. Por Eleutério e Deutério sentem falta de alguma coisa: bebida. Embora não sejam mais adolescentes, ainda não deixaram o vício dos narcóticos aceitos pelas sociedades ocidentais e seguem para o balcão.
Lá chegando observam uma garota. Não é uma garota bonita pelos padrões de estética, mas tem sua graça: é uma garota com feições típicas de Frutchinander. E o mais importante: notou a sua presença. Mas ela está acompanhada de um rapaz barbudo, Junai, que embora não a toque, transmite todo um ar protetor, seja de namorado ou de irmão mais velho, embora a cor de seus cabelos exclua a última possibilidade:
- Tchugulou! (Oi!)
- Ei! Tchugulou! (Ei! Oi!)
- Tchu tchu tcheg tchuquinôuders ? (vocês falam tchuquinôuders?)
- Pri! (Sim!) - adiantou-se Valquíria (chamemo-la de Val). Junai contentou-se a dizer sim com a cabeça, não passando muita credibilidade.
- Ei! Tchandebaners! (muito bom!)
- Tchu tchu tchanáuers sam kim? (E o que vocês fazem aqui?) - rebate Val.
- (...) - Deutério desembesta a falar.
É notório o tom solene com que Valquíria falava: ela arrumava o cabelo, endireitava a coluna e abria mais os olhos levantando as sobrancelhas, apertando os lábios. Não é todo dia que se fala tchuquinôuders!
E no mais, estão todos encantados com os dois estrangeiros. Eles falam tchuquinôuders, que por si só, já é sinal de respeito e cultura. E ainda falam bem o seu idioma! Como é possível?!
E esse interesse empolga Deutério, que fala e cativa a platéia - de homens - que alimenta suas descrições do misterioso e distante lugar onde vive. Eles o consideram um rapaz corajoso, o que o motiva a falar mais. Mas esta não é a opinião de Val, que agora sente-se deslocada da conversa.
Bem verdade é que Deutério cometeu um erro crasso; desrespeitara a regra clara da sedução: saber ouvir. Que se desdobra em outras atitudes: alimentar a conversa alheia com mais perguntas, e por fim, falar pouco sobre si. Eleutério vê aí uma oportunidade:
- Seus olhos são lindos... de que cores são?
- Depende do dia (risos)... tchu tchu cantritchu? (qual o seu país?)
Eleutério não entende por que, mesmo falando frutchinanderlen, ela insiste falar em
tchuquinôuders.
- Brantchelanders.
- Ah bom?! Brantchelanders?!
Os bonitos olhos de Val brilham: ela nunca tinha visto um homem de Brantchelanders. Mas todos dizem que os homens de Brantchelanders são bonitos. Os homens de Brantchelanders são fogosos. Os homens de Brantchelanders traem suas mulheres. Os homens de Brantchelanders... aaaamiga... eles são de-mais.
- Vamos lá fora?
- E por que não?
No caminho as mãos se tocam. As pontas dos dedos percorreram os braços até encontrarem um pouso seguro em seu pescoço. Ausência de resistência que lhe enchia de coragem. A porta se abre, ela faz que vai para um lado, vai para o outro. Eleutério a segue e por fim toma as rédeas da situação por completo. Agora ele é todo certeza e nada mais impede o desenlace da situação que ela iniciara, mas que ele dirige com maestria. A mão do pescoço escorre pelo outro lado até que o braço a puxa de um só golpe contra seu corpo contra a parede.
Golpes de calor. Línguas que se tocam selvagemente. Ela perde as estribeiras ao realizar um sonho quase erótico: beijar um homem de Brantchelanders. Sem pensar, desceu a mão para as nádegas de Eleutério que não lhe oferece resistência.
Por fim, em uma pausa para respirar, Val tira os cabelos do rosto de Eleutério e confessa:
- Você corresponde exatamente às minhas fantasias sobre os Homens de Brantchelanders?
- Aé? Como assim?
Não ouve tempo para responder. Uma loira atravessa a rua gritando e aproxima-se do casal:
- Hoje é um dia muito importante para mim, é meu aniversário de 30 anos. E vocês são O CASAL DA NOITE! - e cochicha no ouvido de Val - eu vi você passando a mão na bunda dele...
- Se você quiser não há problemas - completa Eleutério, já puxando a mão da garota para suas nádegas. Ela fica sem graça, e volta para o Bar DoOutroLadoDaRua.
FIM DE NOITE
Eis que as horas passam e a noite chega ao fim. Val procura em vão seus amigos naquela fria noite: eles a deixaram só. Ciúmes? Pelo sim, pelo não, terminaram por dar uma força para as intenções veladas de Eleutério.
- Se você quiser... bom... meu amigo já está em casa... a gente pode dormir juntos, mas já adianto que não pode acontecer nada. Meu amigo está por lá...
- Hmm... está bem.
Acordo feito, buscam Deutério que atravessou a rua. Lá está ele no Bar DoOutroLadodaRua.
- Vamos embora?
- Sim!
Eis que na saída, que surpresa.
- EEEEi... o casal da noite! - sim, a mesma garota se aproxima. E como ela é atraente. De cara pergunta:
- E vocês de onde são?
- Brantchelanders...
- Brantchelanders? - e não é que ela desanda a falar brantchelanderlen? Não sem um forte sotaque, que deixa claro que esta não é sua língua materna.
- Como assim?
- Sou filha de Prutchinoudilainers, e lá também falamos uma variação de brantchelanderlen.
Foi paixão a primeira vista: Eleutério, ainda abraçado com Val, não sabia o que fazer, até ter uma idéia: puxando Val discretamente para o outro lado, lança o telefone na mão de Deutério e faz um sinal com a cabeça.
Mas que tristeza! Deutério não entende seu gesto? Deutério está realmente destreinado com as artes da dissimulação. Eleutério beira o desespero: agora os dois - Eleutério e Val lhes olham simultaneamente, e não há nada que ele possa dizer em tchuquinôuders que Val não entenderia. Por fim, desiste do caviar e tenta - não sem contragosto - aceitar a comida que tem no prato: chuchu.
- Vamos para casa.
A CASA DE ELEUTÉRIO
Eleutério explica a Val.
- Olha... você vê que o apartamento é pequeno. Deutério dorme no chão, eu e você na cama. Está aqui uma camisa para você dormir com mais conforto.
- Ok.
- Eu ronco - completa Deutério.
E assim, apagam-se as luzes: Eleutério de pijama, Deutério de saco-de-dormir e Valquíria de camisa e calça jeans. Ao menos até o meio da noite...
O DIA SEGUINTE
Eleutério levanta cedo com Valquíria trocando de roupa.
- Escuta, não quer tomar um café?
- Não, eu como em casa.
- Então está bem.
Acompanha a garota até a porta. Na saída, ela aperta a campainha do vizinho pensando que é a luz. E mais uma vez o rapaz abre a porta para ver o vizinho sem graça esperando o elevador. Ao descer, cumprimenta o porteiro que faz festa - esse é o cara de Brantchelanders!
Na volta encontra Deutério de pé.
- E aí, dormiu bem?
- Sim. Quer dizer, até eu começar a ouvir uns barulhos...
- Eu trouxe pão e aqui tem café.
NO FIM DA TARDE
Valquíria chega ao bar, aquele de frente para o cais, onde já estão todos os seus amigos. Virília, ao vê-la, sorri com comichões:
- E então?
- É ...
Junai, entre uma bebericada e outra, consola-se com Miraí. Ambos com olhar distante, mirando a outra margem do rio:
- É.
- Pois é.
- (...)
- (...)
Junai aperta os lábios com um brilho de estranho contentamento no olhar. Contentamento de descoberta de coisas novas:
- Eles falam tchuquinôuders.
Eleutério recebe a visita de Deutério, que vem de férias de um país distante para um período de uma semana.
- Como foi de viagem?
- Foi ótimo, aproveitei minhas milhas e vim em classe executiva.
Após deixar as malas no apartamento, decidem sair para jantar. Deutério delicia-se com os pratos da culinária local e um momento de crise muito importante, filosofa sobre nobres frivolidades:
- Sabe, eu simplesmente não sei o que estou fazendo lá naquela merda de lugar. Aqui em Frutchinander é muito melhor. Você realmente está bem aqui.
- Sim.
- Se não fosse pelo dinheiro... ao menos meu trabalho paga meus prazeres. Como este, de estar aqui.
- Este é um motivo para um brinde!
E assim brindam sorvendo assim mais um copo de vichinitchers, a bebida local.
O BAR DA RUA OBROTCHUCAMP
Ao sair do restaurante, Eleutério tem uma idéia:
- Vou te levar para um bar legal. Fica na rua Obrotchucamp. A rua Obrotchucamp é muito legal. A rua Obrotchucamp tem os melhores bares da cidade. A rua Obrotchucamp há mulheres nuas correndo pela rua. A rua Obrotchucamp é o que há.
- Tudo bem, se você diz que é bom, eu acredito. Vamos a rua Obrotchucamp.
Tomaram o trem metropolitano e seguiram assim para a tão bem conceituada rua. Lá chegando, logo encontram um bar interessante, com várias pessoas à frente.
- Quanto é a entrada?
- É gratuita.
- Oooh...
O bar é o Tchugunaidernal. Chão de cimento, esculturas e pinturas na parede. Esculturas? Uma carcaça de automóvel pintada de cores reluzentes pindurada na parede. No piso inferior, a banda internacional do dia de rapazes de cabelo cor-de-fogo tocam instrumentos que chamam de "fôuqui". Rapazes estranhos, som interessante. Esse é o Tchugunaidernal. Por Eleutério e Deutério sentem falta de alguma coisa: bebida. Embora não sejam mais adolescentes, ainda não deixaram o vício dos narcóticos aceitos pelas sociedades ocidentais e seguem para o balcão.
Lá chegando observam uma garota. Não é uma garota bonita pelos padrões de estética, mas tem sua graça: é uma garota com feições típicas de Frutchinander. E o mais importante: notou a sua presença. Mas ela está acompanhada de um rapaz barbudo, Junai, que embora não a toque, transmite todo um ar protetor, seja de namorado ou de irmão mais velho, embora a cor de seus cabelos exclua a última possibilidade:
- Tchugulou! (Oi!)
- Ei! Tchugulou! (Ei! Oi!)
- Tchu tchu tcheg tchuquinôuders ? (vocês falam tchuquinôuders?)
- Pri! (Sim!) - adiantou-se Valquíria (chamemo-la de Val). Junai contentou-se a dizer sim com a cabeça, não passando muita credibilidade.
- Ei! Tchandebaners! (muito bom!)
- Tchu tchu tchanáuers sam kim? (E o que vocês fazem aqui?) - rebate Val.
- (...) - Deutério desembesta a falar.
É notório o tom solene com que Valquíria falava: ela arrumava o cabelo, endireitava a coluna e abria mais os olhos levantando as sobrancelhas, apertando os lábios. Não é todo dia que se fala tchuquinôuders!
E no mais, estão todos encantados com os dois estrangeiros. Eles falam tchuquinôuders, que por si só, já é sinal de respeito e cultura. E ainda falam bem o seu idioma! Como é possível?!
E esse interesse empolga Deutério, que fala e cativa a platéia - de homens - que alimenta suas descrições do misterioso e distante lugar onde vive. Eles o consideram um rapaz corajoso, o que o motiva a falar mais. Mas esta não é a opinião de Val, que agora sente-se deslocada da conversa.
Bem verdade é que Deutério cometeu um erro crasso; desrespeitara a regra clara da sedução: saber ouvir. Que se desdobra em outras atitudes: alimentar a conversa alheia com mais perguntas, e por fim, falar pouco sobre si. Eleutério vê aí uma oportunidade:
- Seus olhos são lindos... de que cores são?
- Depende do dia (risos)... tchu tchu cantritchu? (qual o seu país?)
Eleutério não entende por que, mesmo falando frutchinanderlen, ela insiste falar em
tchuquinôuders.
- Brantchelanders.
- Ah bom?! Brantchelanders?!
Os bonitos olhos de Val brilham: ela nunca tinha visto um homem de Brantchelanders. Mas todos dizem que os homens de Brantchelanders são bonitos. Os homens de Brantchelanders são fogosos. Os homens de Brantchelanders traem suas mulheres. Os homens de Brantchelanders... aaaamiga... eles são de-mais.
- Vamos lá fora?
- E por que não?
No caminho as mãos se tocam. As pontas dos dedos percorreram os braços até encontrarem um pouso seguro em seu pescoço. Ausência de resistência que lhe enchia de coragem. A porta se abre, ela faz que vai para um lado, vai para o outro. Eleutério a segue e por fim toma as rédeas da situação por completo. Agora ele é todo certeza e nada mais impede o desenlace da situação que ela iniciara, mas que ele dirige com maestria. A mão do pescoço escorre pelo outro lado até que o braço a puxa de um só golpe contra seu corpo contra a parede.
Golpes de calor. Línguas que se tocam selvagemente. Ela perde as estribeiras ao realizar um sonho quase erótico: beijar um homem de Brantchelanders. Sem pensar, desceu a mão para as nádegas de Eleutério que não lhe oferece resistência.
Por fim, em uma pausa para respirar, Val tira os cabelos do rosto de Eleutério e confessa:
- Você corresponde exatamente às minhas fantasias sobre os Homens de Brantchelanders?
- Aé? Como assim?
Não ouve tempo para responder. Uma loira atravessa a rua gritando e aproxima-se do casal:
- Hoje é um dia muito importante para mim, é meu aniversário de 30 anos. E vocês são O CASAL DA NOITE! - e cochicha no ouvido de Val - eu vi você passando a mão na bunda dele...
- Se você quiser não há problemas - completa Eleutério, já puxando a mão da garota para suas nádegas. Ela fica sem graça, e volta para o Bar DoOutroLadoDaRua.
FIM DE NOITE
Eis que as horas passam e a noite chega ao fim. Val procura em vão seus amigos naquela fria noite: eles a deixaram só. Ciúmes? Pelo sim, pelo não, terminaram por dar uma força para as intenções veladas de Eleutério.
- Se você quiser... bom... meu amigo já está em casa... a gente pode dormir juntos, mas já adianto que não pode acontecer nada. Meu amigo está por lá...
- Hmm... está bem.
Acordo feito, buscam Deutério que atravessou a rua. Lá está ele no Bar DoOutroLadodaRua.
- Vamos embora?
- Sim!
Eis que na saída, que surpresa.
- EEEEi... o casal da noite! - sim, a mesma garota se aproxima. E como ela é atraente. De cara pergunta:
- E vocês de onde são?
- Brantchelanders...
- Brantchelanders? - e não é que ela desanda a falar brantchelanderlen? Não sem um forte sotaque, que deixa claro que esta não é sua língua materna.
- Como assim?
- Sou filha de Prutchinoudilainers, e lá também falamos uma variação de brantchelanderlen.
Foi paixão a primeira vista: Eleutério, ainda abraçado com Val, não sabia o que fazer, até ter uma idéia: puxando Val discretamente para o outro lado, lança o telefone na mão de Deutério e faz um sinal com a cabeça.
Mas que tristeza! Deutério não entende seu gesto? Deutério está realmente destreinado com as artes da dissimulação. Eleutério beira o desespero: agora os dois - Eleutério e Val lhes olham simultaneamente, e não há nada que ele possa dizer em tchuquinôuders que Val não entenderia. Por fim, desiste do caviar e tenta - não sem contragosto - aceitar a comida que tem no prato: chuchu.
- Vamos para casa.
A CASA DE ELEUTÉRIO
Eleutério explica a Val.
- Olha... você vê que o apartamento é pequeno. Deutério dorme no chão, eu e você na cama. Está aqui uma camisa para você dormir com mais conforto.
- Ok.
- Eu ronco - completa Deutério.
E assim, apagam-se as luzes: Eleutério de pijama, Deutério de saco-de-dormir e Valquíria de camisa e calça jeans. Ao menos até o meio da noite...
O DIA SEGUINTE
Eleutério levanta cedo com Valquíria trocando de roupa.
- Escuta, não quer tomar um café?
- Não, eu como em casa.
- Então está bem.
Acompanha a garota até a porta. Na saída, ela aperta a campainha do vizinho pensando que é a luz. E mais uma vez o rapaz abre a porta para ver o vizinho sem graça esperando o elevador. Ao descer, cumprimenta o porteiro que faz festa - esse é o cara de Brantchelanders!
Na volta encontra Deutério de pé.
- E aí, dormiu bem?
- Sim. Quer dizer, até eu começar a ouvir uns barulhos...
- Eu trouxe pão e aqui tem café.
NO FIM DA TARDE
Valquíria chega ao bar, aquele de frente para o cais, onde já estão todos os seus amigos. Virília, ao vê-la, sorri com comichões:
- E então?
- É ...
Junai, entre uma bebericada e outra, consola-se com Miraí. Ambos com olhar distante, mirando a outra margem do rio:
- É.
- Pois é.
- (...)
- (...)
Junai aperta os lábios com um brilho de estranho contentamento no olhar. Contentamento de descoberta de coisas novas:
- Eles falam tchuquinôuders.
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Munique: Oktoberfest
E cinco meninas se aproximam da mesa.
- Ei, podemos nos sentar com vocês?
- Que pergunta...
A centro-avante, olhos verdes, olhar profundo e desafiador, riso maroto, vai além.
- Sabe o que é, somos estudantes... minha grana acabou. Só tenho 2 euros e...
O amigo adianta-se às (más)intenções.
- Estudante? Como nós. Espera um pouco - e tenta apresentá-las para os cavalheiros franceses de trás, sempre prontos às gentilezas. Mas um deles acaba de vomitar sobre a mesa.
No Les Echos da última segunda, uma crônica analisa as qualidades de negociador de Sarkozy. Como contraponto, cita uma frase do Cardeal de Retz:
Pelo sim pelo não, erija-se o negociador, estilo Sarkozy. Pagar pra ver: moedinhas sobre a mesa. As meninas bebem. Paguei e vi: o garoto alemão ao meu lado, que por falar alemão, já está em vantagem na luta darwiniana (que aqui, em um ambiente tão selvagem, não é muito complexa). A garota se aproxima. Eles se beijam. Beijo de língua.
Hora de foto: stop no beijo e abraço em quem estiver do lado - eu. Abraço generoso, mão na cintura. O alemão aperta o nariz na orelha (dela).
Fim de foto, fim do caneco. A garota se levanta (e isto é muito importante: as mulheres tomam a atitude).
- Vou no banheiro.
Toma o alemão pelo braço. Explica em inglês, olhos nos olhos (meus). Munique em chamas.
- We are going together. Same bathroom.
Vão juntos? Parabéns. Os dois de pé. Beijo de língua. Um aperto aqui. Outro aperto ali. Movimento inesperado: ela (sempre ela) se volta para a mesa e puxa minha mão.
- You come with us. - menina decidida.
Levanto os ombros para o rapaz. Ele me olha. Olhar eloquente: "É rock".
Não é rock. É tradicional: Hei Prosit, Hei Proosit... todos cantam nas mesas ao lado. Eu não. Nem ela. Nem ele. Zigue-zague. Com a mão esquerda ele acaricia a orelha esquerda dela. Com a mão esquerda, ela alterna movimentos de apertar e soltar em minha já suada palma da mão direita. Com a mão esquerda... com a mão esquerda não faço nada: balanço natural de quem caminha.
Herren Pissoir. Chegamos. Tem Herren demais aqui. Alemães, italianos, irlandeses fazem fila desde a entrada sem portas com o falo na mão à espera de uma brecha no mictório. Linha de montagem. Do único recinto privativo, cheiros acres que escorrem pelo chão.
Ela olha um segurança. Idéia - menina criativa.
- Ei! Quero sair lá fora.
Deve ser isso que ela disse. Ele estende um tíquete.
- Eu e eles. - mãos para trás, olhar inocente pra cima, olhar ingênuo para o infinito.
- Não, não. Só você. Os três juntos, não. Se sair não voltam.
Manha de garota: duas mãos puxando o braço do segurança. Mas este faz jus a sua bermudinha de couro e à meia que sobe até o joelho.
- Não.
Voltamos a mesa. Meia hora depois, as amigas decidem que é hora de amiguinha ir embora - amiguinhas decididas.
Bitoquinha em mim, selinho em outro, beijo de língua no alemão. Por fim, nem fomos ao banheiro. Que pena: é sempre confortante fazer xixi entre amigos. Fica para a próxima.
- Ei, podemos nos sentar com vocês?
- Que pergunta...
A centro-avante, olhos verdes, olhar profundo e desafiador, riso maroto, vai além.
- Sabe o que é, somos estudantes... minha grana acabou. Só tenho 2 euros e...
O amigo adianta-se às (más)intenções.
- Estudante? Como nós. Espera um pouco - e tenta apresentá-las para os cavalheiros franceses de trás, sempre prontos às gentilezas. Mas um deles acaba de vomitar sobre a mesa.
No Les Echos da última segunda, uma crônica analisa as qualidades de negociador de Sarkozy. Como contraponto, cita uma frase do Cardeal de Retz:
Erigir-se demasiado como negociador não é sempre a melhor qualidade para a negociação.
Pelo sim pelo não, erija-se o negociador, estilo Sarkozy. Pagar pra ver: moedinhas sobre a mesa. As meninas bebem. Paguei e vi: o garoto alemão ao meu lado, que por falar alemão, já está em vantagem na luta darwiniana (que aqui, em um ambiente tão selvagem, não é muito complexa). A garota se aproxima. Eles se beijam. Beijo de língua.
Hora de foto: stop no beijo e abraço em quem estiver do lado - eu. Abraço generoso, mão na cintura. O alemão aperta o nariz na orelha (dela).
Fim de foto, fim do caneco. A garota se levanta (e isto é muito importante: as mulheres tomam a atitude).
- Vou no banheiro.
Toma o alemão pelo braço. Explica em inglês, olhos nos olhos (meus). Munique em chamas.
- We are going together. Same bathroom.
Vão juntos? Parabéns. Os dois de pé. Beijo de língua. Um aperto aqui. Outro aperto ali. Movimento inesperado: ela (sempre ela) se volta para a mesa e puxa minha mão.
- You come with us. - menina decidida.
Levanto os ombros para o rapaz. Ele me olha. Olhar eloquente: "É rock".
Não é rock. É tradicional: Hei Prosit, Hei Proosit... todos cantam nas mesas ao lado. Eu não. Nem ela. Nem ele. Zigue-zague. Com a mão esquerda ele acaricia a orelha esquerda dela. Com a mão esquerda, ela alterna movimentos de apertar e soltar em minha já suada palma da mão direita. Com a mão esquerda... com a mão esquerda não faço nada: balanço natural de quem caminha.
Herren Pissoir. Chegamos. Tem Herren demais aqui. Alemães, italianos, irlandeses fazem fila desde a entrada sem portas com o falo na mão à espera de uma brecha no mictório. Linha de montagem. Do único recinto privativo, cheiros acres que escorrem pelo chão.
Ela olha um segurança. Idéia - menina criativa.
- Ei! Quero sair lá fora.
Deve ser isso que ela disse. Ele estende um tíquete.
- Eu e eles. - mãos para trás, olhar inocente pra cima, olhar ingênuo para o infinito.
- Não, não. Só você. Os três juntos, não. Se sair não voltam.
Manha de garota: duas mãos puxando o braço do segurança. Mas este faz jus a sua bermudinha de couro e à meia que sobe até o joelho.
- Não.
Voltamos a mesa. Meia hora depois, as amigas decidem que é hora de amiguinha ir embora - amiguinhas decididas.
Bitoquinha em mim, selinho em outro, beijo de língua no alemão. Por fim, nem fomos ao banheiro. Que pena: é sempre confortante fazer xixi entre amigos. Fica para a próxima.
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
A despedida de Christophe
Sexta-feira, meio-dia. No meio do caminho do restaurante, lembrança.
- Ei, não é hoje a despedida do Christophe?
- Hmm... é mesmo... então... mas voltar lá...
- Mas o cara avisou...
- Mas o cara é chato...
- Mas fica chato não ir...
- ... está certo, vamos lá falar um oi.
Adentrando a sala, as pessoas ali formavam um círculo silencioso. Elas não respeitaram o Casual Day e vieram todas de terno e gravata, o que nos deixava décontractés para a ocasião.
Silêncio. Christophe serve-nos copos de um espumante vermelho e volta ao seu posto no centro da sala. Silêncio.
Discordo que ele seja chato: sendo consultor de grande empresa, é pago para se comportar assim, calado, e-mails pontiagudos, apenas perguntas e nenhuma abertura sobre si. Mas ali no centro da sala, após um ano de projeto, não escondia o seu desconcerto: oferecia uma festa de despedida, pagava as bebidas, e notoriamente todos que ali estavam o faziam por pura educação.
Silêncio. Seu desconcerto combina bem com a gravata cuja ponta não passa do umbigo. Gravata que lhe conferia melancolia inaudita e inesperada simpatia. Era a prova: aquele ali também não era o seu lugar. Contudo, possuía característica essencial para a continuidade dos negócios: constância. O padeiro que levanta a porta diariamente às 7h; o operador de trem que tira a locomotiva da garagem no horário previsto; o professor que inicia sua aula pontualmente. Christophe com sua gravata acima do umbigo.
Som de espuma. Abre-se mais uma garrafa de champanha. O rapaz se aproxima com 2 garrafas. A cor vermelha se explica:
- Ah, um toque de licor de cassis!
- Kir.
- Mais precisamente, Kir Royal - completa outro.
Kir Royal, benção ao álcool. Estamos em pleno Ramadã, mas isto aqui é França, Estado laico. O torpor torna todos altruístas e assim, em questão de minutos, todos concordam que o silêncio em uma festa de despedidas é no mínimo embaraçoso, e agora todos falam e riem desinibidamente, entre um palito salgado e um amendoim.
- Quanto custa mesmo a licença deste logiciel?
- Quatrocentos mil euros.
Fazia um tempo bonito lá fora, mas com uma brisa fria cortante. O verão já se foi. E após uma semana cinzenta de chuvas, quantas cores! Mas era de comum acordo no recinto que o mais elegante seria falar de coisas importantes:
- Bom... então precisamos fazer valer, e amortizar o custo. Quando entra o primeiro módulo em produção?
- Maio de 2009.
E entre um comentário e outro, risos de empolgação. Menos Christophe, que continuava no canto da sala, sorriso apático; a indiferença sincera.
Puxamos a última batatinha, o último gole de kir royal. Um aperto de mão.
- Bom, depois você passará pelo andar para se despedir, certo?
Christophe limitou-se a sorrir. Foi a última vez que o vi.
- Ei, não é hoje a despedida do Christophe?
- Hmm... é mesmo... então... mas voltar lá...
- Mas o cara avisou...
- Mas o cara é chato...
- Mas fica chato não ir...
- ... está certo, vamos lá falar um oi.
Adentrando a sala, as pessoas ali formavam um círculo silencioso. Elas não respeitaram o Casual Day e vieram todas de terno e gravata, o que nos deixava décontractés para a ocasião.
Silêncio. Christophe serve-nos copos de um espumante vermelho e volta ao seu posto no centro da sala. Silêncio.
Discordo que ele seja chato: sendo consultor de grande empresa, é pago para se comportar assim, calado, e-mails pontiagudos, apenas perguntas e nenhuma abertura sobre si. Mas ali no centro da sala, após um ano de projeto, não escondia o seu desconcerto: oferecia uma festa de despedida, pagava as bebidas, e notoriamente todos que ali estavam o faziam por pura educação.
Silêncio. Seu desconcerto combina bem com a gravata cuja ponta não passa do umbigo. Gravata que lhe conferia melancolia inaudita e inesperada simpatia. Era a prova: aquele ali também não era o seu lugar. Contudo, possuía característica essencial para a continuidade dos negócios: constância. O padeiro que levanta a porta diariamente às 7h; o operador de trem que tira a locomotiva da garagem no horário previsto; o professor que inicia sua aula pontualmente. Christophe com sua gravata acima do umbigo.
Som de espuma. Abre-se mais uma garrafa de champanha. O rapaz se aproxima com 2 garrafas. A cor vermelha se explica:
- Ah, um toque de licor de cassis!
- Kir.
- Mais precisamente, Kir Royal - completa outro.
Kir Royal, benção ao álcool. Estamos em pleno Ramadã, mas isto aqui é França, Estado laico. O torpor torna todos altruístas e assim, em questão de minutos, todos concordam que o silêncio em uma festa de despedidas é no mínimo embaraçoso, e agora todos falam e riem desinibidamente, entre um palito salgado e um amendoim.
- Quanto custa mesmo a licença deste logiciel?
- Quatrocentos mil euros.
Fazia um tempo bonito lá fora, mas com uma brisa fria cortante. O verão já se foi. E após uma semana cinzenta de chuvas, quantas cores! Mas era de comum acordo no recinto que o mais elegante seria falar de coisas importantes:
- Bom... então precisamos fazer valer, e amortizar o custo. Quando entra o primeiro módulo em produção?
- Maio de 2009.
E entre um comentário e outro, risos de empolgação. Menos Christophe, que continuava no canto da sala, sorriso apático; a indiferença sincera.
Puxamos a última batatinha, o último gole de kir royal. Um aperto de mão.
- Bom, depois você passará pelo andar para se despedir, certo?
Christophe limitou-se a sorrir. Foi a última vez que o vi.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Fraternité: Île de la Cité
Um longo veículo preto se aproxima lentamente do semáforo, janelas cobertas por cortinas prateadas. Um antigo Peugeot 206 vermelho é o único que não o ultrapassa.
Sinal vermelho: o veículo preto pára, o rapaz que conduz o Peugeot também. Mãos trêmulas sobre o volante, barba de 2 dias, olhos vermelhos. A espera precipita o choro, choro de soluços, soluço forte que parece sorriso.
Sinal verde. O veículo preto avança, o senhor de olhos vermelhos avança também. Do outro lado da rua, um senhor descansa dentro de outro veículo com a porta aberta, rádio ligado, programação ou propaganda governamental. Quem ouve acompanha mentalmente:
Sob a ponte, a água que passa a cada instante jamais é a mesma. Mas o Sena segue em seu leito. Permanente. Imponente. Eternamente.
+++
Une longue bagnole noire s'approche doucement du feu, fenêtres couvertes par des rideaux argentés. Une ancienne Peugeot 206 rouge est l'unique que ne le dépasse.
Feu rouge: le voiture noire s'arrête, le gars que conduit le Peugeot aussi. Des mains tremblants sur le volant, barbe de 2 jours, les yeux rouges. L'atteinte précipite le pleur, pleur de sanglots, sanglot aussi fort qui rappelle un sourire.
Feu vert. La bagnole noire avance, le gars des yeux rouges avance aussi. À l'autre coté de la rue, un autre gars prend son temps dans une autre bagnole, radio allumé, programmation ou publicité étatique. Ceux qui l'écoute, le suivent mentalement :
Sou le pont, l'eau qui coule chaque instant n'est jamais la même. Et pourtant, la Seine suit son lit. Permanent. Imposant. Éternellement.
Sinal vermelho: o veículo preto pára, o rapaz que conduz o Peugeot também. Mãos trêmulas sobre o volante, barba de 2 dias, olhos vermelhos. A espera precipita o choro, choro de soluços, soluço forte que parece sorriso.
Sinal verde. O veículo preto avança, o senhor de olhos vermelhos avança também. Do outro lado da rua, um senhor descansa dentro de outro veículo com a porta aberta, rádio ligado, programação ou propaganda governamental. Quem ouve acompanha mentalmente:
Allons enfants de la patrie
Le jour de gloire est arrivé
Sob a ponte, a água que passa a cada instante jamais é a mesma. Mas o Sena segue em seu leito. Permanente. Imponente. Eternamente.
+++
Une longue bagnole noire s'approche doucement du feu, fenêtres couvertes par des rideaux argentés. Une ancienne Peugeot 206 rouge est l'unique que ne le dépasse.
Feu rouge: le voiture noire s'arrête, le gars que conduit le Peugeot aussi. Des mains tremblants sur le volant, barbe de 2 jours, les yeux rouges. L'atteinte précipite le pleur, pleur de sanglots, sanglot aussi fort qui rappelle un sourire.
Feu vert. La bagnole noire avance, le gars des yeux rouges avance aussi. À l'autre coté de la rue, un autre gars prend son temps dans une autre bagnole, radio allumé, programmation ou publicité étatique. Ceux qui l'écoute, le suivent mentalement :
Allons enfants de la patrie
Le jour de gloire est arrivé
Sou le pont, l'eau qui coule chaque instant n'est jamais la même. Et pourtant, la Seine suit son lit. Permanent. Imposant. Éternellement.
Egalité: métro Reuilly-Diderot
Nas estações anteriores, todos sabem, todos já sabiam: a aglomeração no fundo da estação é para entrar na primeira porta do trem.
Eu sei, você sabe, todos sabem: na estação Reuilly-Diderot, a primeira porta do metro da linha 8 é a mais próxima da escada de acesso à linha 1. Aglomeração, pressão, concentração; a porta se abre: balde de gente vertido na estação.
Eu não corro, você não corre, ninguém corre; inútil tentar se destacar em meio à massa. Barulho de trem: mais à frente, alguns apertam o passo. Aqui no meio do corredor, apenas resignação: o próximo trem vem logo ali.
+++
Dans les stations antérieures, tous savent, tous savaient: agglomération au fond de la station est pour rentrer à la première porte du train.
Je sais, vous savez, tous savent: à la station Reuilly-Diderot, la première porte du métro de la ligne 8 est la plus proche des escalier d'accès à ligne 1. Agglomération, pression, concentration; la porte s'ouvre: un seau de gens tourné sur le quai.
Je ne cours pas, vous ne courez pas, personne ne court; inutile tenter se détacher de la foule. Bruit de train: peu plus avant, quelques uns accélèrent. Ici au milieu du couloir, résignation seulement: le train prochain vient tout de suite.
Eu sei, você sabe, todos sabem: na estação Reuilly-Diderot, a primeira porta do metro da linha 8 é a mais próxima da escada de acesso à linha 1. Aglomeração, pressão, concentração; a porta se abre: balde de gente vertido na estação.
Eu não corro, você não corre, ninguém corre; inútil tentar se destacar em meio à massa. Barulho de trem: mais à frente, alguns apertam o passo. Aqui no meio do corredor, apenas resignação: o próximo trem vem logo ali.
+++
Dans les stations antérieures, tous savent, tous savaient: agglomération au fond de la station est pour rentrer à la première porte du train.
Je sais, vous savez, tous savent: à la station Reuilly-Diderot, la première porte du métro de la ligne 8 est la plus proche des escalier d'accès à ligne 1. Agglomération, pression, concentration; la porte s'ouvre: un seau de gens tourné sur le quai.
Je ne cours pas, vous ne courez pas, personne ne court; inutile tenter se détacher de la foule. Bruit de train: peu plus avant, quelques uns accélèrent. Ici au milieu du couloir, résignation seulement: le train prochain vient tout de suite.
sábado, 16 de agosto de 2008
O dia dos pais
Seria um fim-de-tarde qualquer em uma rua qualquer, não fosse aquele corpo caído na sarjeta. Da boca seca escorria um marca de vômito que marcava o casaco azul, a calça cinza e o sapato preto sem meias.
Boca aberta no meio-fio denota gravidade, e logo vieram os bombeiros com suas sirenes de urgência. Ele não está morto e se recusa a se deitar na maca. Ele rodopia, ele ri, ele chora. Ele evita os primeiros socorros e começa o seu discurso etílico: línguas de fogo. Os rapazes do bar se aproximam. Uns fumam, outros ainda bebem.
Bêbado só dá vexame. Bêbado é um estorvo. Perdão pelo vocabulário, mas bêbado é foda. O bêbado na sarjeta é o alívio daquele que não bebeu tanto assim, e por isso, se dá o direito a mais um copo. Para os bombeiros, o bêbado é apenas uma ocorrência, um procedimento a seguir: medir pressão, freqüência cardíaca, aplicar soro e glicose, seguir para o hospital, mais um relatório a preencher. O bêbado revida e nas idas e vindas, um sapato já saiu de seu pé. Ele acha que está perto da Bastilha, ele diz que mora em Rive Gauche. Ele diz que está bem mas cambaleia para um lado e para o outro, e solta o peso do corpo sobre o bombeiro. O bêbado é um palhaço, e ele sabe disso. Ao seu entorno, uma roda se forma de gente que se entretém com a humilhação alheia e se esquece do tempo que passa igual em todo final-de-tarde.
Na subida da rua ao lado, uma garota aponta de bicicleta. Na cestinha está sua bolsa de pano vermelho que combina com sua blusa de lã, aberta, de botões. Ela tem cabelos lisos e olhos pretos como as sandálias bailarinas que usa sem meias. Seu vestido florido bege sobe suavemente a cada pedalada deixando à mostra bom naco de suas rosadas pernas devidamente depiladas. Ela seguiria seu caminho, mas um pequeno detalhe na aglomeração lhe chamou a atenção:
- PAPA!
O rapaz que bebia volta ao bar, o senhor que fuma apaga o cigarro, o transeunte segue seu trajeto. A senhora que ria com a baguete na mão vira de lado ajeitando os cachos do cabelo. A roda se dispersa.
Pai é herói. Pai dá exemplo. Perdão pelo vocabulário, mas pai tem que ser sempre o fodão. O senhor da sarjeta diz que está bem em voz sóbria e põe-se de pé. Mas tomba logo para o lado direito, esbarrando no bombeiro.
- De novo, papa! De novo...
Pai protege. "Não chora, ...". O lema da República: "liberdade, igualdade e fraternidade". Fraternidade... o bom moço de óculos que carregava arquivos verdes empurra a bicicleta. O senhor que fumava traz o sapato esquecido na sarjeta, o rapaz forte equilibra o senhor de casaco azul que consola a menina, e juntos seguem rua abaixo.
- Pourquoi, papa? Porquoi...
O burburinho desceu a rua, o bombeiro foi embora de sirene desligada. No primeiro vento, folhas secas cobriram o vômito no chão. E os transeuntes que agora passam apenas passam. No bar ouviu-se o sentimental dizer que os semáforos se alternavam melancólicos. O moralista, pelo contrário: "bem feito!". Mas a verdade, se isso existe, é que o semáforo é uma máquina e se alterna ainda hoje igual, tal qual como antes.
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